2 de abril de 2009

2ª pessoa

Pra que partir por ti,
Se partiste meu coração
Nos separando?
Pra que partir por ti,
Se paraste
Com nossa relação?

Nem pra voltar
Quer que eu parta
Já estou farta
De ti judiando de mim
Toda dor ainda flui por minhas veias
E para meu rim
Saíste com uma segunda pessoa
Agora só consigo falar assim

Cafajeste
Fizeste comigo
O pior
Traste
Tu me deixaste
tão só
Ainda vens
Me dizer que queres que eu deixe
minha casa, minha vida
Indo embora contigo para o nosso bem

Desculpe, mas eu não consigo
Ser tão estúpida assim
Vou seguir só
Existem limites para o meu sim

25 de fevereiro de 2009

Senti

Perdão, meu amor
Sem ti a solidão
Sem ti a sua falta
Sem ti muita dor
Sem ti o receio
Sem ti mais que medo
Sem ti não tem jeito
Da vida seguir

Sem ti não consigo
Sem ti não tem vida
Sem ti eu duvido
Sem ti não há fé
Sem ti vou de ré
Nem dou a partida
Sem ti a ferida
Aberta a doer

Sem ti o que fazer?
Sem ti nem existo
Sem ti tudo é triste
Sem ti não sou visto
Sem ti não sou nada
Sem ti, minha fada
em mim sua ausência
Sem ti a indecência

Sem ti a falência
Sem ti inexperiência
Sem ti a descrença
Sem ti dor imensa
Sem ti o que pensa
quem se sente assim
Sem ti tudo é não
imagino o sim

Sem ti nada é simples
Sem ti não aguento
Sem ti muito tempo
Sem ti vou chorar
Sem ti vou cair
No fundo do poço
Sem ti estou no chão
Sem ti eu não quero
as coisas da vida
assim como estão
Sem ti um grande furo
no meu coração
partido em sete
Sem ti o que promete,
assim, meu futuro
Não quero depois
Eu quero o agora
Vou botar pra fora
Sem ti vou falar...

— Sinto muito, volta pra mim.

4 de fevereiro de 2009

Vivo nada

A vida é o vazio
E visa a compreensão
de que tudo é nada
O nada da imensidão
Onde algo parece que cresce
Cravado imóvel num vaso sem água

A vida é um bosque sombrio
E eu sóbrio na escuridão
De madrugada na mata fechada
Só me abro pra uma melodia
Que de melancólica e sombria
Quase mata também

Eu sóbrio sem ninguém
No sólido solo que inexiste
Sinto o frescor de nada que bate
E uiva como o som que persiste

Lembro o sol e a felicidade
E como estragam toda a beleza
Da tristeza com a ilusão de existir
Que com sua fria energia derretem a cera
Das asas de minha imaginação
E com toda esta besteira
Não chegam à beira da existência em mim
Que incompetência!

Lembro bem, também, de quem
Sendo um pedaço de nada
Pra quem por nada muito nada fiz
Tornou a fala calada
Provou que não existo
E me fez feliz como nunca quis

E agora vou grato confessar
Não cumprir minha vida seu propósito,
Mas de propósito deixar
A noite sem fim cumprir seu papel
Fazer-me comigo fiel
E feliz em cantar pela madrugada
Ela que é nada, mas tudo pra mim

2 de julho de 2008

O porvir

Durante três anos
sua vida foi assim
por serviço extra
Após dia incomum,
Por meia a duas horas
de segunda a sexta
E por vezes o fim
de semana também

Sempre após trabalho
num banco ele sentava
Num banco de praça,
sozinho e lá ficava
Ela vinha e por lá
passava todo dia
E todo dia, ele
A contemplava e via

Mas ele decidiu certo dia
acabar com essa rotina fria
com essa agonia de fazer nada
pela atitude de quem quer tudo
luz á vida desmoralizada

lá foi ele em sua direção
para falar a frase perfeita
— Que horas são, por favor?
— Quatro e meia, senhor.
Decisão foi certa
Atitude errada
ele ficou calado
ela logo foi-se
mas ficou também com ele a vontade
foi com ela a coragem
té pra simples ois

E assim foi
té um dia,
pouco depois
que ela parou de vir
Ele parou de vê-la
e acabou-se o devir

Diário de um Fraco

Sentado.
Cá estou eu
Cagando palavras inúteis no papel
voando no chão
enterrado no céu

O dia condenado ao remorso total
A noite condenada à alegria infeliz
Bem ou mal
Nada compensa o nada que fiz

Eu choro.

Minha vida está morta
Minhas lágrimas estão secas
Meu corpo abstrato mostra como é concreta a minha dor

Espero que chegue quem se foi.
Espero...
Espero...

Espero que se mova meu corpo
Mentalmente tetraplégico,
Psicologicamente estático,
Inutilmente pensante.

Minha alma está esquartejada e a culpa é minha
Pego pedaços de alma e ponho no papel

Da ponta da caneta para o papel,
Da ponta da caneta para o papel...
Enquanto isso, pontadas em meu coração.

Ah! Nem consigo escrever.
Parece que vivo pra me conter
E aqui conto o quanto isso dói.