12 de julho de 2010

Sonhei

Sonhei que te queria
sonhei que sonhava acordado com você
acordei um bebê que chorava
sem saber se sonhava ou vivia

O sonho ainda não acabou
ou sonho é o real nessa vida
Pois na verdade nunca soube
e continuo sem saber

Tento e tento e tento...
Tento te esquecer
mas o inconciente insiste tanto...
Vivo sonhando com você.

15 de junho de 2010

Um pouco de sufoco

A copa me sufoca
a sala me convoca pra ver
o povo que vira brasileiro
de quatro em quatro anos
me invoca
amo sempre minha nação
esse repente parece provocação
Vou vocalizar este refrão!

Odeio esta época
essa épica esportiva
dane-se a ética
Hexa! Viva!
Nesse sentimento desemboca
esse sufoco que é a copa!

20 de maio de 2010

Como afundo sem razão

Espirro de absurdo
manifesto de inspiração
incoveniente incontesta
despertar de dispersão
que extrai do inconciente disparates
palavras dispersas
bagunçadas por sentimentos incertos

Medos desmotivados
desejos latejantes
tuque batuque demente

insistente a mente
tenta uma coesão
tornar pacífico o desentedimento
conflito do tipo: — Quer ir? — Pode.
Trazer pra perto a prosaica discrição
arte descritiva do bom escrivão
de desconcretização

mas volta no momento
o último ressentimento
Medo
o medo de olhar
impede a descrição de olhar
torna indiscritível o olhar

medo medo medo
ser olhar tocar
olhar leitor julgar
volte mente ao lugar!
novamente ao lugar...

o dia não tem luar
Pantagruel vem me chamar
serei Franco Moretti
agora saí do sério
é a mais pura mentira
não há preenchimento
há bifurcações de fúria
furos de ira
sonho de indescrição
de beijo no olhar
— acordado —
de sentar no meu colo
o corpo e cabelo.
A carga de ressentimento
deu corda ao devaneio
o medo virou paixão
a mente foi pra escanteio
no reino da sensação
indiscreta
livre
associação

Ação de sapo
dissocia
diz sofia
fobia
medo
meio
veio
feio
fim.
sim!
incumprido!
encomprido tudo
sinto tudo
encontrado e tragado
num mar de anti-sentido
maravilha
olho vil
sexteto trolho
lhama fama
corazeda coração
coro de corais parafuso
sujo sujiscuro
desrritimado no vôo
do cimento ciumento.

1 de maio de 2010

A morte absoluta

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
. . . . . . . . . . . . Manuel Bandeira


Às vezes
eu queria morrer

Não como um suicídio,
não como Castro alves
Álvares de Azevedo
werner e a sociedade
dos poetas mortos

só morrer só
sem solidão
Sem ofuscar
sem escurecer

não uma vida finda
não alma viva ainda
mas morte pura, a morte mais linda

queria ser tudo que não é por ser o que é
morte da cor que o cego vê
que não tem por que porque não tem
morte forte que não tenha rima
por não ter nada em cima
morte sem sinal, por não ter sina

Só queria ser algo que se algo fosse
seria morto imortal, sem motivo
seria feliz por não ter emoção
eternamente completo por não ser

25 de março de 2010

17 de março de 2010

Um doce

O amor me pediu um doce
mas tudo que eu tinha era um queijo
o que eu tinha era um queijo fedido

o amor pediu-me uma flor
mas só o que eu tinha: ...dor
cheirando medo ardido

O amor me pediu fosse o que fosse
mas isso eu não tinha em posse
só coisas: queijo, dor, pedido...

Pediu um sentimento qualquer de papel
sinto muito! “ai meo deus do céu!”
não tenho. Não é por mal

o amor me despediu
agora isso eu tinha
feliz eu dei um “tchau!”