19 de abril de 2011

Encontro ao desencontro

O sol começava a se esconder atrás das nuvens. Sentou na calçada o Hélio, cabeça baixa, cara de poucos amigos. Uma moça, Estella, o viu de longe, vir como a água da sargeta numa chuva forte que Deus chora.
— Tudo bem?
— Não enche o saco!!! Soltou sem levantar os olhos, cuspindo palavras e saliva. Nem reparou que ela tinha olhos ao mesmo tempo serenos e brilhantes como o Sol. Mas o tempo não era propício. Ela não pode fazer outra coisa senão dar as costas chateada.

A intenção não era ruim, nem ele era ruim, mas ela não reparou como ele fitou suas costas com um pouco de culpa por ter descarregado sua energia tanática nela, que não era a causa da sua irritação. Não havia como prever que os dois poderiam se dar bem, que os dois gostavam de atividades ao ar livre, os dois bebiam socialmente, que os dois eram iguais e diferentes, que os dois poderiam ensinar muito um ao outro... Não havia como prever uma circuntância favorável. Nessa tarde só acharam uma porta fechada, e suas vidas prosseguiram na neblina, tateando.

Quando ela chegou em casa imaginou o que podia ter deixado o homem daquela maneira. Talvez o trabalho, talvez ele seja de escorpião, ou de leão. O sangue pode ter subido a cabeça. Já ele nem lembrou mais, mas sentiu-se sozinho porque quis falar com um amigo, mas não pode encontrá-lo. Um desencontro, foi virar-se na cama se sentindo na contra mão.

5 de abril de 2011

Povo infeliz à moda da casa

Ingredientes:
Toneladas de Recursos naturais
180 milhões de habitantes
uma elite rica
uma esquerda hipócrita
kilos de burrice

Ferramentas:
uma mídia comprada
Escolas públicas abandonadas.

Preparo:
Joque os habitantes no território, dê todos os recursos possíveis aos ricos e deixe o resto sem ter pra onde correr. Coloque os filhos da elite misturados à esquerda e deixe que eles façam manifestações bagunçadas e sem sentido que só irritam a população. Ensine a burrice com cuidado até formar pasta quase homogênea de ignorantes, utilize a mídia e as escolas públicas.

Se alguém provar a desgraça coloque a culpa no destino, no "certo por linhas tortas" ou na influência da cultura muçulmana.

26 de março de 2011

Do nada

Um sentimento indefinível sopra aquele vento na espinha
bate um quase desespero, passivo passional
um não sei quê se assoma e se soma ao tédio

uma espécie de solidão infundada
brota, surge, pulula,
se materiarializa abstrata
do nada

e então busca
pro-cura
revista sites livros blogs
de tudo debalde
aciduamente, sem base

quem sabe algo que satisfaça
ou quem sabe logo isso passa

22 de março de 2011

Cerveja cerveja cerveja

Propaganda de cerveja com Juliana Paes. Advertência: Aprecie com moderação.
Propaganda de cerveja com Paris Hilton. Advertência: Se beber não dirija.
Propaganda de cerveja com Sandy. Advertência: este produto é destinado a adultos.

9 de março de 2011

Carnaval, Dia da Mulher

A Globeleza de verdade é Loira
bem Branca e Burra
meio Ana Rica
pensamento mundano

uma Barbie durante o ano
e no Dia da Mulher
Nega Fulô, Boneca de Pano

pano ou plástico...
e Carne, muita carne
Vendida Consumida
trocada de modo vulgar

Carnaval!
Mulher reverenciada!
Só pode ser Piada
essa Beleza Fabricada

4 de março de 2011

Nuvem negra

satura
mas envolve como anéis
a tristeza entorpece
importa por esporte
repele
repete
corta o gilete
face sete

comove
entedia
sabedoria que enfastia
não tem limite esse apetite
é limítrofe
libidinoso
álibi alí
uma fase
um quase quase
um corre corre
atrase
um repente de repente

repete
prata ardente
dente com dente
descontente
chega!

indecente semi-nudez
a nuvem negra sobre a lua outra vez