16 de julho de 2009

Não quero mais

Quando penso
em você eu sinto um aperto
no peito
suspeito
que gosto de você

Toda vez que te vejo
não vejo mais nada
além do beijo
com qual eu tanto sonhei

Quando estou deitada
me viro na cama
só fico pensando
quando
vou te ver

Não quero sonhar
estou cansada
não quero mais
eu quero te amar
eu quero você aqui comigo
porque eu adoro o que você me faz
sentir

Quando eu sinto teu cheiro
quando eu ouço tua voz
quando você me enche de vida
eu sinto que posso voar

Mas caio na real depois
e sinto que falta você
que falto eu
faltamos nós dois
faltamos nós

Eu quero sair do meu quarto
correr pra você
te chamar
porque eu preciso da sua chama pra me iluminar
preciso de você agora
não demora
vem cá

11 de julho de 2009

Rumo às maravilhas

Alice segue sem se perguntar onde vai
mesmo sem saber por que, entra e sai
não visa nem evita o grito de ai
não sabe a profundidade do buraco que cai

Somos todos Alices perdidas
sem passaporte, direto
entramos e moramos anos em nossas vidas
sem saber em que país estamos

louvamos aventura
pensamos desrazão
desejamos racionalidade
vivemos loucura
somos insanidade

Vai! Vai Alice, ingênua criança
aproveita enquanto a alegria te alcança
não se apresse a entrar em nossa dança

não sei mais a letra da música
de lagosta branquinho ou camarão
minha cabeça anda confusa
Chapeleiro! mais chá de ilusão!
pois enxergar é tanta utopia
à sombra da ciência que afasta a alegria
que beber menos chá não é opção.

Não vale o esforço sanar o coração,
escolher pelo destino a direção,
tentar prever o que esperar,
e destinar-se a decepção.

Vamos! Venham viver!
Iremos decididos
sem objetivos
sujeitos a todas as dores com muito prazer.

24 de junho de 2009

ModeloEGOcêntrico

O modelo egocêntrico é obsoleto, mas absoluto em blogs e iorkuts.
Como disse uma vez o sábio professor Lobinho (física), a discussão entre a igreja, Copérnico e Galileu foi inútil. Quando algo se move, é em relação a um ponto de referência, portanto os modelos hélio e geocêntrico são ambos verdadeiros. Mudando os centros, apenas se muda a referência e a complexidade geométrica dos movimentos.
Já neste modelo, basta que se use o próprio queixo como eixo e que se observe tudo girar.

14 de junho de 2009

Sonho de creme

Quando eu era criança tinha um sonho
e falava dele o tempo inteiro
quando eu crescer vou ser padeiro
quando eu crescer vou ser padeiro

Vovó me incentivava
sempre fazíamos sonhos pra vender
eu vendia sonhos a um real

Entre o pessoal da família
era alegria, fantasia
diversão sem igual
vendendo sonhos de criança
até um dia não sei qual
que vendi o meu sem querer

Agora quando venho à padaria
me vem essa triste lembrança
da inocência
dos sonhos
de minha avó
de minha infância
de como eu enxergava além

E nessa estranha discrepância
tento recuperar minha fantasia
através de uma poesia que vou acabar vendendo também

29 de maio de 2009

Harmonia

Eu
sempre vivi cantando
todo dia
essa minha melodia
que é tudo que sei

E desde a mocidade
o que eu sei de verdade
ecoou em meu coração
sempre foi o que sou
dissonante com o rock'n roll

Você
Chegou ressoando
grosseira com o yeh-yeh-yeh
e meu canto foi se afinando
até eu não reconhecer

Você chegou me cantando
chegou me tocando
fazendo o que eu não faço
mexendo comigo

Você me tirou do compasso
quero te tirar pra dançar
Agora eu sei de você
Eu sei, eu sei, eu sei que consigo
Eu sei e tenho um novo cantar

Eu sei que contigo, meu anjo
eu sei que essa triste melodia
em breve vou tornar harmonia
nesse arranjo de um conjunto que vai arrasar

Vai arrasar
vai arrasar
Oh baby! Let's go to the bar
Oh baby! Eles vão adorar
Oh baby!
Eu sei

Você vai amar

3 de maio de 2009

Há hora

Agora só há a agonia
só há o lírico agonizante
que porque em canto
que porque agoniza
vive em seu canto

Mas agora gora.
Há a agonia de repetir, agora
da tortura lírica que se repete.
De repente
há a angústia de não ter mais o que se crie
de não ter mais o que se sofra
de não ter mais o que se faça
de não haver mais o que se cante, mas cantar
de repente...
Espero que haja
que nao seja assim ainda
apesar de haver já a possibilidade
contra minha vontade

Agora
há já a possibilidade de entenderem o que digo
mas não de entenderem o que sinto
mesmo que sintam o mesmo

O lírico diz diferente mas sente igual
mesmo querendo sentir anormal
nisso já repete
se digo digo não digo diogo
mas nisso já repete de novo

Sente depois chora
sempre
por agora
e de agora talvez pra sempre

Depois de tudo que deu
Há agonia de escrever muito
agora de pensar muito
agonia de dizer pouco
agora de mudar nada

Mas há ainda agora
Esperança, que não muda e e não é dada
Mas traz possibilidade de mudança